❝ Nunca pensei que teria essa capacidade de amar de um jeito tranquilo. Eu achava que o amor é aquilo que te deixa acelerado, estupefato, insone, maluco. Me perdoe a ignorância, mas eu não sabia. Eu não sabia até conhecer você, até construirmos a nossa vida juntos. O amor é um sofá cama confortável em que podemos sentar ao fim de cada dia e compartilhar pequenas conversas, pequenos risos, pequenos pedaços da vida. O amor é uma sacada aberta onde o sol aquece e o vento seca. O amor é olho no olho, é mentira apagada com borracha, é sonho que tem continuação e vontade que nunca cessa. O amor é o erro reconhecido, é o perdão concedido, é a verdade crua. O amor é saber ser. O amor é querer estar. E permanecer apesar do vendaval, dos buracos fundos, do que dizem.
— Clarissa Corrêa.
(Source: clarissacorrea)
❝ Eu sou um monstro, não é? Eu sou arrogante, egoísta, ambicioso, pedante… Ah, eu me acho o máximo! Aí eu penso: Renato, você está dando uma de bonzinho, mas no fundo isso é vaidade, você é pior do que todo mundo. Meu Deus, e se for verdade? O Grande Arquiteto do Universo lá é que sabe. Eu tento. Eu sou muito jovem, isso realmente vem com o tempo, eu já não fico mais tão nervoso. Mas eu ainda sou desbocado, impulsivo, impaciente, ansioso, violento, ciumento… Eu também arrisco bastante, e isso é uma coisa positiva. Eu sou tipo: ah, é para cortar o braço? Pronto, cortei; e agora? Eu não tenho medo de fazer certas coisas. Às vezes, você se queima, mas é uma qualidade. O que eu quero é ter disciplina, controlar o lado das emoções desenfreadas, o mau humor. Eu percebo que as pessoas que se amam de verdade conseguem isso. Eu fico na dúvida: será que eu já amei alguém de verdade? Have I ever loved anyone? Sim e não. Aquela coisa de respeito mútuo, de respeitar o outro como parte de você e, ao mesmo tempo, como um ser totalmente diverso, é quando pinta o amor de verdade, que é cada vez mais raro. Mas é uma coisa que eu quero trabalhar. A partir do momento que você consegue isso com uma pessoa, você vai estendendo para as outras. Energia chama energia — “Dize-me com quem andas e eu te direi quem és”. Mas falar é tão lindo, eu vou sair daqui e vou fazer a estupidez de sempre. Eu gostaria de disciplinar este plano, de ser uma pessoa forte, no sentido de ter segurança. Se você quer ter alguém em quem confiar, confie em si mesmo. Sei lá, muitas vezes você entra em cada depressão por causa de babaquice…
— Renato Russo.
(Source: batmaneiro)
❝ Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo. Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos. Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso. Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos. Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem. Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram. Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir. Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi. Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto. Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir. Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam. Já tive crises de riso quando não podia. Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva. Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse. Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar. Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros. Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros. Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz. Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava. Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade. Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”. Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais. Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria. Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava. Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda. Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram. Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim. Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre. Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes. Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí? Eu adoro voar.
— Clarice Lispector
(Source: cadjuvar)
❝ É que hoje eu acordei muito feliz. Feliz como tenho acordado durante tantos e tantos dias. Apesar de tudo. Apesar de tanto. Hoje estou milionária. Eu tenho um céu azul, e infinitos e tenros raios de sol preenchendo todos os pontos cardeais da cidade. Sinto tudo tão meu, porque me sinto tão pertencente a tudo. Eu que sempre quis um lugar para ir, um lugar de repouso e harmonia. Eu que sempre quis, quando encontrasse este lugar, poder ficar lá pelo tempo que fosse preciso. E agora posso, basta eu saber olhar. E a minha imaginação é tão fértil, solo que nasceu arado, jamais será novamente devastada pelo cultivo da tristeza. Porque eu descobri toda a acepção da palavra gratidão e, desde então, me tornei merecedora.
— Marla de Queiroz
(Source: cordeagua)
❝ Alguém apagou a luz das estrelas. Mas nós, os sonhadores, queremos a noite virgem e o som dos bichos. Nós, os sonhadores, queremos apenas um piquenique despreocupado no domingo, ao invés dos passeios nos shoppings centers da cidade. Nós, os sonhadores, não precisamos de cocaína. Mas alguém apagou a luz das estrelas. E o romantismo morreu. E a ilusão também morreu. Alguns estão à procura dela. Da ilusão, é claro. Mas as princesas viraram funkeiras vulgares, e os mocinhos viraram marginais delinquentes. Há quem goste do que chamam de amor à luz da cidade, às sete da noite, num motel barato. Mas eu prefiro à luz das nossas antigas estrelas. Quando eu te conheci, comecei a sonhar. Queria tomar café contigo, mas dificilmente você aceitava o meu café. Era a princesa que eu encontrava nas páginas velhas de um romance medieval. Eu nunca estava bêbado ao elogiar seu sorriso. Mas eu o elogiava silenciosamente, porque era o meu segredo. Eu cogitava a hipótese de uma poesia bonita criada para nós. Mas Cecília não seria capaz de escrever sobre a minha tristeza. Álvares não seria capaz de escrever sobre a tua virgindade. E Pessoa não seria capaz de escrever sobre a tua multipolaridade. Secretamente, você foi o meu verso mais bonito. E para nós, os sonhadores, o mundo não ficará para sempre no escuro. Estamos todos errados. Estamos todos fodidos e fadados a imaginar um futuro bonito num presente asqueroso. De toda forma, eu só queria tomar café contigo. E encontrar o teu sorriso perdido em meio a algum verso razoável. Mas nós, os sonhadores, nunca encontramos um verso suficientemente necessário para os nossos desejos. Secretamente, você foi o meu verso mais bonito. E te guardar em segredo, foi sem dúvida, o meu maior poema. Depois que eu assisti a uma entrevista na televisão, descobri que o amor é coisa desnecessária. Duas décadas inteiras babando nas histórias Disney para depois descobrir que tudo era absolutamente desnecessário. O jeito foi acordar certo dia e pedir uma cerveja. Todas as luzes se apagaram, eu pensei. Os apaixonados estão errados. Nunca amarão de verdade. Vão descobrir. Eu tomava uma cerveja no centro velho da cidade. Era um dia frio e já passava das quatro da tarde. O telefone tocou a nossa música. Since I don´t have you. Eu deixei tocar, não atendi. Deixei que tocasse a música inteira. Acho que estava um pouco embriagado. Deixaria o mundo inteiro caótico se tocasse um pouco mais a nossa música. Nos últimos minutos da nossa existência, quando o mundo inteiro se tornar silencioso, a música triunfará por fim. E eu me lembrarei de um sorriso e da mulher que nunca consegui escrever poema algum. Mas ninguém também nunca conseguiu. Talvez porque não tivesse conhecido a mulher que conheci, ou porque não conseguissem escrever propriamente muito bem. As luzes estão apagadas. E eu sonhei que estava bêbado e ganhava um beijo seu. Eu descobri que aprendi a escrever no escuro. Já ouviu Secos e Molhados? Que fim levaram todas as flores. Algum dia pregarão o amor. Quando o silêncio caótico da humanidade se dissipar nos montes das favelas e dos grandes seios das mulheres, a música triunfará por fim. A primavera triunfará suas flores. E para nós, os sonhadores, o filme sempre acaba com um último beijo numa espécie de cena Shakespeareana. E para mim, já que o verso não veio, e já que a crônica pediu para nascer, talvez a frase final seja “alguém decidiu apagar todas as luzes. Mas nós, os sonhadores, sempre sonhamos em fazer amor no escuro.
— A nós, os sonhadores. Heitor Henrique.
(Source: objetomediocre)
❝ Hoje aconteceu uma coisa engraçada, que atestou mais uma vez a minha incoerência comigo mesmo. Vivo imaginando que de repente vão aparecer fadas ou gênios na minha frente para perguntar o que eu desejo. Hoje pensei sério: se me perguntassem o que mais desejo na vida, não saberia responder. Quero tudo.
— Caio Fernando Abreu.
(Source: embriagar-se)


